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Um grande Parlapatão

Não preciso dizer que Hugo Possolo de Soveral Neto soube conduzir muito bem a palestra feita sobre o “Riso”, tanto porque, como ele mesmo disse, o próprio riso diz quando o público está ou não entretido com aquilo que está sendo passado - logo, eu diria, que o público que estava bem entretido. Ainda sobre isso, ele falou da diferença daqueles que sabem do que estão rindo e daqueles que riem de tudo, o que acredito que não tenha sido o caso. 

Na minha opinião, deve ser extremamente difícil falar para dezenas de jovens inquietos, que você não sabe se estão ali para te ouvir, por obrigação, indicação ou sei lá o quê. Corre-se o risco de você não conseguir conduzir e as pessoas se levantarem, irem embora… Ou ainda ficarem lá até o final querendo mais e mais - que foi o que aconteceu.

A palestra, muito bem representada pela Profa Vera na mesa, começou com o Parlapatão Hugo falando sobre como começou o grupo, com a saídas nas ruas, na praça da República. E ai veio uma reflexão na minha cabeça de muito o que é discutido em sala… O individualismo. Ele nos descreveu as primeiras apresentações em público, nas quais as pessoas sequer paravam para olhar e defendeu-se “você não dialoga sozinho”, mas será mesmo que esse é o problema?! Eu discordo, acho muito mais do que estar sozinho, o problema não está em você e sim nessa sociedade. Mas enfim, essa discussão rende muito! Rsss! E a partir da impressão do “sozinho” veio a idéia de montarem um grupo e por ai começou…

As apresentações do Grupo Parlapatões são muito mais do que uma mera apresentação de um grupo de teatro, é crítica, revolta, tentativa de evidenciar um mundo cujo qual as pessoas não enxergam. O teatro é visto como uma forma de retroceder, de gerar uma vontade de querer mudar… e o riso é uma maneira de conduzir o pensamento humano, exercendo poder e medindo-o.

E concluindo sua palestra, o Parlapatão Hugo se colocou contra a idéia de “arte como produto”, pois, segundo ele, o produto em si não pode ser desafiador perante uma sociedade, um pensamento ideológico… Já a arte, o teatro é o contrário disso… É a forma em si de ir contra isso, de desafiar, questionar, mostrar uma revolta que há por trás de toda uma sociedade! No entanto, muitas pessoas fazem da arte um produto…