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Museu do Futebol

Poucos tiveram a oportunidade de ir na visita monitorada ao Museu de Futebol, e digo mais: perderam! Foi incrível… E sabendo das poucas vagas disponíveis, vou detalhar ao máximo a visita!

No hall de entrada encontram-se diversos objetos relacionados ao futebol de diversos colecionadores: há desde barcos com símbolo do São Paulo até camisas antiguíssimas, chaveiros… Enfim, tem de tudo um pouco, subindo as paredes do museu, que nos leva para debaixo das arquibancadas do Pacaembu - sem em nenhum momento esconder a real estrutura do lugar. 

Não é um museu repleto de troféus, camisas, bolas, chuteiras… Tanto que os únicos jogadores que receberam uma atenção especial foram Pelé e Garrincha. Além do museu há um auditório que eles disponibilizaram para o Estádio do Pacaembu para coletivas, apresentação de jogadores, enfim… Para qualquer evento. Deve-se notar que as cadeiras do auditório foram bem pensadas, com cores diversas para representar todas as torcidas e para que nenhuma delas se sentisse menos privilegiada.

O museu se dá em três eixos: Emoção, História e Diversão. O eixo da emoção se inicia com uma sala que possui monitores mostrando uma criança jogando futebol, como uma metáfora de que a todo momento tem uma criança jogando futebol em algum lugar e que uma delas será um futuro jogador profissional. Em outra sala há telas importadas da Espanha que projetam 11 jogadores diferentes, de diferentes épocas e em momentos de jogos, havendo a possibilidade desses jogadores serem trocados com o tempo.

Nessa mesma sala há monitores individuais que você pode escolher uma personalidade do mundo esportivo narrando o melhor jogo de sua vida, sendo que só ouve o som quem estiver embaixo da caixa de som (que se assemelha a uma luminária). E há também a mesma idéia, mas com som ao invés da imagem. E a Sala Exaltação, que finaliza o eixo Emoção, há telas que estão dispostas embaixo da arquibancada (como todo o museu, mas aqui você vê claramente a estrutura) que irão ficar transmitindo imagens das 30 maiores torcidas do Brasil.

Para começar o eixo História, há uma sala repleta de imagens (cerca de 400) antigas retratando a chegada do futebol no Brasil até os anos 20, mostrando quando o esporte deixou de ser apenas da elite e passou a ser popularizado. A sala seguinte é a Sala dos Heróis, que retrata o momento dos anos 30 e 40, com triedros móveis que possuem imagens. Já para os anos 50, há uma sala que representa o rito de passagem: uma sala completamente escura, no áudio há um coração pulsando e Arnaldo Antunes está narrando a derrota do Brasil para o Uruguai - metáfora do silêncio na derrota. Há uma sala destinada às Copas, que possui diversos monitores com imagens que contextualizam a época e os jogos, abordando temas sociais, culturais e políticos.

Para interligar as duas alas do museu foi feita uma passarela - com autorização, já que se trata de um patrimônio histórico tombado. Na outra ala encontra-se o eixo diversão, no qual o museu torna-se ainda mais interativo. Há um salão com inúmeras curiosidades do futebol, desde números como o jogador mais alto, baixo… frases, regras e definições de jogadas - ótimo para aquelas mulheres que nada entendem sobre as regras, rsss! Nesta mesma sala estão dispostas mesas de pimbolim com todos os esquemas táticos já adotados, e é permitido que os visitantes joguem. E ainda aqui é possível ver o estádio do Pacaembu - vista muito bonita após a reforma. 

Quase no final da exposição, há uma pequena arquibancada na qual os visitantes podem assistir um “filminho” 3D, na qual terá um jogador que irá se constituindo - eu já sei quem é, você precisa ir até lá para ver.. rsss! -. Há ainda um “Chute a Gol” virtual, com a bola e o goleiro virtual e uma torcida projetada, e ainda será possível saber a potência de seu chute e a distância. Ainda com este artifício, terá um campo projetado e uma bola virtual no qual seis pessoas poderão jogar uma partida (3 contra 3). Há também um monitor com imagens slow motion de jogadas de futebol e para finalizar, uma sala em que é transmitido o making-off da construção do Estádio do Pacaembu e do Museu do Futebol, além de maquetes.

Bom, em palavras assim pode não parecer tão legal e duvido que eu tenha conseguido transmitir um mínimo de tudo que lá é apresentado. O museu é fantástico, com uma arquitetura incrível e imagens maravilhosas. A Fundação Roberto Marinho mais uma vez surpreendeu, trouxe para nós brasileiros mais um motivo de orgulho nacional, pois pode ter certeza… Duvido que em algum país do mundo exista um museu como este, com a união perfeita da emoção, da história e da diversão! Cabe aqui o meu muito obrigado e os meus parabéns…

Prosa e Poesia

O que se pode esperar de uma palestra em que a mesa é conduzida por alguém como Edilamar Galvão e a platéia por pessoas como João Guedes, Luis Felipe Pondé, Ronaldo Entler, Malu Homem, Rubens Fernandes Jr. e dezenas de alunos lotando o auditório?! Bem, eu não tinha dúvidas desde o início… A palestra foi maravilhosa, muito enriquecedora e com direito a extensão no horário de tanto que entreteu os alunos e professores ali presentes.

Como palestrantes, José Miguel Wisnik e Michel Laub - ambos escritores e algumas coisinhas mais. A discussão se deu a partir das duas formas diferentes de como o Futebol é encontrado nos livros desses dois autores. Michel Laub possui uma visão mais fictícia enquanto Wisnik uma visão mais real, experimental. 

Michel Laub escreveu seu livro por causa da sua paixão pelo esporte, partindo quase exclusivamente de sua memória e recorrendo muito pouco à pesquisa (cerca de 5%). Sua maior preocupação foi de fazer uma ficção marcante, que entretesse o leitor - até aquele que não se interessa por futebol - por completo, já que considera que no Brasil há poucas ficções realmente marcantes, sendo esta sua maior dificuldade. Ele não queria usar em seu livro uma linguagem futebolística só porque estava falando de futebol e nem uma linguagem característica de ficções, o que acabou levando o livro à um drama familiar além do tema futebol, “virando as costas pro jogo”. 

Já Wisnik fez diferente. Ele utilizou o futebol como sua pesquisa de campo ao longo de sua vida e é do tipo daqueles torcedores fanáticos - analisa, assiste, joga e vai ao jogo. O futebol, para ele, desafia você a ter uma relação crítica de fora e de dentro, logo é importante analisar essa visão interna do futebol para todos, pois por mais que você não seja fanático, todos possuem uma relação com ele de qualquer maneira, e em seu livro ele parte desse ponto de vista.

Em determinado ponto da palestra questionou-se o fato da hegemonia do EUA não se dar no quesito esporte. Eu nunca tinha parado para pensar sobre isso e confesso que fiquei surpresa, pois faz muito sentido. Tudo está sob influência dos EUA, mas no esporte não… Nos EUA o futebol não é o esporte mais querido, é o basquete… E nem por isso essa situação se repete no mundo, pelo contrário, sabe-se da paixão mundial pelo futebol. No entanto, o livro de Wisnik não aparece como uma apologia ao Brasil, pelo contrário, mostra o futebol como potência e fracasso ao mesmo tempo.

Já na questão futebol como arte, Wisnik comparou futebol com literatura citando o cineasta Pasolini, no qual o esporte pode ser jogado em prosa, com ênfase na defesa, ou em poesia, com ênfase no desejo de ataque e não-linear, que seria o caso do Brasil. E conclui: “só no futebol o não-gol pode ter uma importância tão grande”, assim não tem como não ser arte.

Um grande Parlapatão

Não preciso dizer que Hugo Possolo de Soveral Neto soube conduzir muito bem a palestra feita sobre o “Riso”, tanto porque, como ele mesmo disse, o próprio riso diz quando o público está ou não entretido com aquilo que está sendo passado - logo, eu diria, que o público que estava bem entretido. Ainda sobre isso, ele falou da diferença daqueles que sabem do que estão rindo e daqueles que riem de tudo, o que acredito que não tenha sido o caso. 

Na minha opinião, deve ser extremamente difícil falar para dezenas de jovens inquietos, que você não sabe se estão ali para te ouvir, por obrigação, indicação ou sei lá o quê. Corre-se o risco de você não conseguir conduzir e as pessoas se levantarem, irem embora… Ou ainda ficarem lá até o final querendo mais e mais - que foi o que aconteceu.

A palestra, muito bem representada pela Profa Vera na mesa, começou com o Parlapatão Hugo falando sobre como começou o grupo, com a saídas nas ruas, na praça da República. E ai veio uma reflexão na minha cabeça de muito o que é discutido em sala… O individualismo. Ele nos descreveu as primeiras apresentações em público, nas quais as pessoas sequer paravam para olhar e defendeu-se “você não dialoga sozinho”, mas será mesmo que esse é o problema?! Eu discordo, acho muito mais do que estar sozinho, o problema não está em você e sim nessa sociedade. Mas enfim, essa discussão rende muito! Rsss! E a partir da impressão do “sozinho” veio a idéia de montarem um grupo e por ai começou…

As apresentações do Grupo Parlapatões são muito mais do que uma mera apresentação de um grupo de teatro, é crítica, revolta, tentativa de evidenciar um mundo cujo qual as pessoas não enxergam. O teatro é visto como uma forma de retroceder, de gerar uma vontade de querer mudar… e o riso é uma maneira de conduzir o pensamento humano, exercendo poder e medindo-o.

E concluindo sua palestra, o Parlapatão Hugo se colocou contra a idéia de “arte como produto”, pois, segundo ele, o produto em si não pode ser desafiador perante uma sociedade, um pensamento ideológico… Já a arte, o teatro é o contrário disso… É a forma em si de ir contra isso, de desafiar, questionar, mostrar uma revolta que há por trás de toda uma sociedade! No entanto, muitas pessoas fazem da arte um produto…

Imoral é não ter lucro!

Clemara Bidarra e Eliseu de Souza Lopes Filho, professores da FAAP conduziram a excelente palestra “Sexualidade e Mercado”. Que a sexualidade tornou-se (ou sempre foi) uma característica muito forte do universo da comunicação, não há discussão, mas é interessante notar a sua significação e as conseqüências atreladas ao seu uso totalmente banalizado de tempos para cá.

Se o mote da Semana de Comunicação é “idéia como Produto”, não podemos nos esquecer da idéia do corpo como mercadoria. Afinal de contas, como afirmou Clemara, a mediação de nossas relações é feita através de produtos, serviços e marcas. Vivemos em uma sociedade que prega uma alimentação constante de nossas fantasias, para que essas não desapareçam.

Imoral é não ter lucro! O resto é meramente uma convenção de regras hipócritas que abrem as pernas ao menor sinal de alguns centavos a mais. E a publicidade está enterrada até o pescoço em tal sistema. Parafraseando Clê: “A desordem permissiva é muito mais rentável do que a ordem moral.”

Se antes a sensualidade era transgressora e subversiva, hoje o sistema vigente a incorporou. Fato que não é tão surpreendente se considerarmos a liquidez e a agilidade do capitalismo ao pegar para si e tirar o ideal de ações que são inicialmente contrárias ao mesmo. Os filmes apresentados pelo professor Eliseu representaram bem a evolução, que podemos tomar como reflexo social, do erotismo nas telonas. E, mais do que isso, nos deu a oportunidade de ver uma sensualidade transgressora em sua essência, coisa que hoje não existe mais.

Em suma, mais do que corpos nus, vimos uma sincera explanação de uma característica tão intrínseca à propaganda. Se antes o sexo era revolucionário, hoje ele vende macarrão.

Uma noite importante

Ontem tive o prazer de assistir mais um filme na 4ª Semana do Cinema Contemporâneo Italiano. Trata-se de “Ônibus Noturno” e a sinopse a qual vocês poderão ver clicando aqui já diz tudo como é o filme. Possui dois ingredientes que marcam: ação e drama, porém com uma pitada de comédia transformando em um filme delicioso de se assistir.

Além do filme, marquei presença na palestra “Produto do Ano” que, além da palestra, contou com uma premiação aos melhores produtos que foram eleitos pelos próprios consumidores. Admito que fiquei pasmo porque não esperava toda aquela infra-estrutura. Claro, não foi uma premiação digna de Oscar, mas posso dizer que a Semana tem mostrado que pode e consegue superar as expectativas a cada ano! Enfim, vamos focar à palestra. Antonio Santos Peres, presidente do Produto do Ano, abriu a premiação informando a importância do mesmo e dos produtos que concorreram à premiação. Além disto, Antonieta Carneiro, do IBOPE, palestrou sobre a empresa que coleta dados e informações a fim de mostrar estatísticas e resultados finais, também mostrou os resultados da pesquisa que foram feitas para o Produto do Ano. Enfim, começou a anunciar os vencedores das categorias que variavam entre alimento até cosmético. Cada vencedor ressaltava a importância e as diferenças de seus produtos. No meio da premiação, houve uma pausa para que Manoel Muller, do Escritórios Muller & Camacho, pudesse palestrar sobre como as embalagens podem e devem dar vida aos seus produtos. Ele nos fez notar que a embalagem, de um tempo para cá, tem sofrido alteração para que passasse a imagem da empresa que o fabrica. É o caso da água Crystal que, anos atrás, tinha a embalagem normal, daquela que todos nós conhecemos e hoje, possui até curva e formato que permite a facilitação do seu uso e do manejo. Pois bem, essa embalagem se tornou a marca registrada para a Crystal e as outras empresas estão fazendo o mesmo: é preciso inovar sempre, não apenas no produto, mas também aquilo que vai embalar e proteger o mesmo. Terminada a palestra que cativou a curiosidade e o interesse dos muitos presentes no Centro de Convenções, a premiação deu continuidade e foram anunciados os vencedores que, além do troféu, receberam o selo do Produto do Ano que pode alavancar as vendas. Uma ótima garantia de aumentar os lucros já que são os próprios consumidores que decidem quem merece o selo. Os vencedores estão de parabéns!

Vocês podem conferir os vencedores e mais informações sobre o Produto do Ano clicando aqui!

Vida, o maior concorrente!?

Hoje, segundo dia de palestras. Na parte da manhã assisti uma palestra com um tema bem diferente, pelo menos no meio. Vida, a Alma da Propaganda foi o nome dado à palestra ministrada por Mario D’Andrea, Chief Creative Officer da JWT Brasil, que, além de já ter atuado em outras grandes agências, tem uma carreira cheia de prêmios, seis Leões em Cannes para se ter uma idéia.

Para começar a apresentação do tema, ele nos mostrou como a informação vem chegando cada vez mais rápido e como ela está em todo lugar. Mais informação, menos tempo para perder, já que nós, futuros comunicadores, precisamos achar uma brecha no sistema de nos destacar nesse grande mundo da publicidade, segundo o próprio Mario. Assim ele falou a frase que mais me fez refletir: “consumidores não são consumidores, são pessoas”, ou seja, pessoas como eu, como você, com problemas e prioridades. Sendo assim, a própria “vida” dela é que disputa atenção com nossas propagandas. Ainda nas palavras do palestrante: “Quem gosta de propaganda é publicitário”. Logo após isso, começou uma discussão então sobre como ser interessante para o público e como usar a “vida” no nosso trabalho. Já que a mesma, simples e bela, é a grande fonte de inspiração para a comunicação.

Acabando o que tinha para falar, ele mostrou uma série de filmes publicitários que usam trechos da vida cotidiano para atingir o target. Coloquei um deles no final do post só para quem estiver lendo ter uma idéia. Achei essa uma das palestras mais interessantes, vou confessar que fui vê-la porque não sabia qual ver no horário e sai com outro pensamento sobre o assunto. Uma pena pra quem perdeu, espero que ele volte ano que vem.

Amanhã continua, estou ansioso para ver a Conteúdo Colaborativo Como Produto, com a equipe da Neogama, volto para falar minhas opiniões sobre a mesma. Então até lá …

3 palestras, 3 assuntos, 3 reflexões

Fiquei muito satisfeita por ter acordado cedo e ido assistir às palestras da manhã.

 

A primeira que vi, foi a “Comunicação e interfaces digitais - O Meio é a Mensagem”, da Amyris Fernandez, professora da FGV. Ela começou falando da penetração que os meios têm hoje na vida das pessoas, das mudanças no comportamento do consumidor e da onipresença da tecnologia. Gostei muito dos assuntos tratados e concordo com o que ela disse, que hoje em dia não se consegue promover a comunicação simplesmente colocando conteúdo disponível em qualquer lugar. É preciso chamar a atenção desse consumidor cercado de informações por todos os lados para fazer com que o mesmo se identifique e absorva o que está sendo passado.

 

A segunda e sensacional, foi a ” O riso como criação de idéias”, com Hugo Possolo de Soveral Neto, do Grupo Parlapatões. A palestra superou todas as minhas expectativas… Aprendi muito, me interessei pra caramba sobre o assunto e tiro o chapéu pra tudo o que ele falou. Muito inteligente, com muito repertório e muita história pra contar, Hugo prendeu a atenção do lotado auditório enquanto explicava os estereótipos de palhaços e porque eles conseguem provocar o riso em seu respeitável público. Além disso, ele disse que discorda da idéia da arte como produto, pois ele acredita que o trabalho do artista gera um material diferente daquele da sociedade capitalista: ao invés de dinheiro, gera senso crítico, idéias, sensações… E que então, se a idéia de arte for aceita como produto, ela perde sua função social.

 

De noite, tive a felicidade de conseguir entrar pra palestra “Sexualidade e Mercado”, da Clemara e do Eliseu, professores da FAAP. Com muito humor, os palestrantes contaram a trajetória da sexualidade na vida das pessoas, e da publicidade. Foram exibidos alguns filmes que contam essa passagem e o que mais me chamou a atenção foi que antigamente, nos filmes pornôs, as moças não precisavam ser bonitas, ou estar em forma. É incrível como a indústria da beleza instituiu padrões estéticos que ao longo do tempo se tornaram incontestáveis. Esse novo estereótipo de perfeição molda o senso crítico do povo que só aceita/compra esse tipo de mercadoria, ou idéia.

 

Saldo total: dia muito produtivo e enriquecedor… E o melhor é saber que amanhã tem mais!