Ontem assisti à palestra intitulada “Informação e Sociedade”. Os convidados da mesa foram Laura Greenhalgh, Jornalista do Jornal O Estado de São Paulo e Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsman da Folha de S. Paulo.
A primeira a discursar foi Laura. A editora do caderno, aliás discorreu sobre o tema proposto fazendo uma breve análise da dita “Era da Informação”, aquela que tem a ansiedade como dado constitutivo e não nos dá o direito de não pensar. Logo um assunto iminente ocorreu em sua pauta: Os computadores e a internet como mídia.
Além de “Medo Líquido” de Zygmunt Baumann, o teórico Lee Siegel, opositor ferrenho das novas mídias, foi o principal influenciador do discurso da palestrante, que colocou o suposto Blogo-Fascismo como um dos principais motes da sua fala. Afirmando que a internet ainda tem a pornografia como principal carro-chefe, a palestrante atacou os blogs colocando-os como uma visão simplista de um local criado para lavanderia de roupa suja.
Do lado oposto da mesa, o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva não tinha uma opinião tão oposta e nos alertou para o perigo de um autoritarismo que parece ser intrínseco ao universo da blogosfera, pelo mesmo possuir o poder da informação, fato que parece assustar muita gente. Além disso, Carlos colocou os blogs e seus assuntos como uma simples conversa de bar. Mas, convenhamos, é uma conversa de bar que fica à disposição do mundo inteiro.
Ao fim das duas exposições eu fui a primeira pessoa a questionar os palestrantes, talvez movido por um instinto de defesa a fim de explanar e representar o outro lado da moeda. Perguntei à Greenhalg porque ela achava ruim essa mudança radical que vivemos, na qual o receptor passa da passividade dos meios para uma possibilidade de participação ativa através da internet. Ela recorreu aos argumentos previamente utilizados, e afirmou não ser contra os blogs, parafraseando-a: “Viva os Blogs, Fora o Blog-Fascismo”.
Por sua vez, Lins, decidiu, também, me responder, afirmando veementemente que de forma alguma o receptor antigamente era passivo, já que existe e sempre existiram espaços abertos àquele que precisa se comunicar com as mídias. Eu, de certa forma, contrapus a sua idéia, afirmando que hoje o acesso aos meios é inegavelmente mais fácil e prático. E uma potencialização de sua voz na internet, desde que haja um conteúdo relevante, possui um impacto muito maior do que uma simples conversa de bar. Reforcei também a idéia de que cada vez mais o consumidor é exigente e sabe o que quer, mesmo porque existe conteúdo de blogs que você não encontra em jornais, e vice-versa.
Nenhum dos palestrantes se mostrou 100 por cento contrários aos blogs e sua utilização, no entanto atacaram os mesmos, temendo uma pressuposta falta de hierarquização da informação e um possível poder ditatorial gerado pelos egos daqueles que se tornam detentores e propagadores da informação. Vale pensar sobre essa teórica ameaça, já que vivemos em um mundo de bombardeio de informação.
Confesso que quando entrei no centro de convenções não esperava uma discussão com esse tema, mas o rumo tomado pelos discursos me despertou uma necessidade de defesa dos blogs para uma apresentação democrática de ideais. Acho que os jornalistas deviam se inspirar na agilidade dos blogueiros e os blogueiros na busca incessante por informação dos jornalistas.
Creio que essa é uma discussão um pouco saturada, mas que pode render alguns frutos se ambos os lados não estiverem escondidos atrás de uma barreira ideológica, senão caímos em um ciclo vicioso de achismos, o que não ocorreu na palestra. Um fator é Hors concours: conteúdo ruim e chapa branca existem de ambos os lados.