A Ética e o Quarto Poder
June 9th, 2009 by Thais Cortoni
Max Brackett (Dustin Hoffman) já foi o mais popular repórter da TV americana, mas após ter se “descontrolado” no passado em um programa ao vivo, agora vive no anonimato. Num dia comum, em que ele cobria uma matéria em um museu sobre a falta de pagamento dos funcionários, o ex-funcionário Sam Baily (John Travolta) invadiu o lugar para tentar reaver seu emprego com a dona do museu. Esta por sua vez, disse que precisava cortar despesas e que não poderia ajudá-lo. Sam, muito frustrado com toda aquela situação aponta uma arma para a ex-chefe, fazendo-a de refém com mais algumas crianças que estavam no local.
Enquanto isso, o repórter que estava no banheiro, viu que não poderia perder a oportunidade de fazer uma matéria exclusiva e fez seus contatos com o jornal onde ele trabalhava. Mas a notícia foi se espalhando e várias emissoras de TV já estavam na frente do museu, prontas para saberem mais sobre o que estava acontecendo lá dentro. O repórter, ao perceber que aquela era sua oportunidade para voltar aos grandes noticiários ofereceu ajuda a Sam dizendo que poderia limpar sua barra, cobrindo a matéria e provando que ele era inocente. Baily é um pobre-coitado que não entende a dimensão de seu ato, uma presa fácil para Bracket, que o aconselha durante vários dias, planejando seus passos de modo a torná-lo uma isca atraente para a mídia e para o público.
Este então, dá uma entrevista à Brackett ao vivo, declarando à todos ser apenas um sujeito desempregado com família para sustentar, que gosta de crianças e não atirou em seu amigo de propósito. Isto tudo por sugestão do jornalista. Além disso, juntamente com sua assistente, ele edita uma matéria com várias declarações de pessoas conhecidas de Sam Baily. O drama comove a todos, causando justamente o efeito que os dois queriam, para obter assim a ajuda da opinião popular norte-americana.
No decorrer da história Max acaba perdendo a exclusividade da matéria para o principal âncora da KXBD, que também passa a manipular as informações tomando outro rumo, desta vez falando mal de Sam Baily. Isso gera uma grande insegurança por parte de Baily, pois ele vê que as pessoas não estão mais a seu favor. Ele solta os reféns e acaba se matando, explodindo o museu com dinamites que continha em sua mala. Por fim, Max Brackett desse as escadas do museu que acabara de ser destruído, e é atacado por um bando de jornalistas e repórteres, com sede de notícia. Sua assistente pergunta-lhe sobre o ocorrido e ainda comenta que está ótimo (com sangue na testa), referindo-se à dramaticidade da matéria. Então ele afirma que eles o mataram.
O filme discute o poder da mídia sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as suas emoções. Quando as emissoras exibiam imagens positivas de Sam, o público ficava a favor dele, mas quando outras redes divulgavam imagens denegridas, o público se posiciona contra. Pode-se perceber também, sensacionalismo no filme, quando o jornalista em vez de ajudar Sam, manipula a informação para prejudicá-lo.
O jornalista passou por cima da ética, pois sua missão era de informar a verdade. Ele nos mostra que é impossível não pensar na atitude de “estrelismo” e irresponsabilidade dos profissionais da imprensa que ferem a ética em busca de um furo e de pontos de audiência. Os interesses em jogo nesta trama revelam um conflito que coloca em risco a segurança de pessoas para satisfazer às necessidades da indústria da televisão.
Sam Balley é apenas um recorte para mostrar a vulnerabilidade da sociedade em
relação à mídia. Quando Max Brackett apresenta as pessoas ao ex-guarda como a opinião pública, acrescentando que esta é uma força poderosa e mais na frente diz que a mesma é volúvel, entendemos que a opinião pública torna-se uma força ainda mais poderosa nas mãos da mídia, que a usa e manipula de acordo com seus interesses.
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