A morte de Eros?

June 9th, 2009 by Flávia Nemoto

Se começarmos uma contagem regressiva até os primórdios, poderemos nos deparar com religiões que exigiam o sacrifício de seus devotos ou a oferenda de riquezas e comida para os deuses como parte de seus ritos. Esse tipo de atividade representa o amor de Eros, um amor possessivo que visa atender às demandas de seu(s) deus(es).

O Eros platônico é explorado em O Banquete. Filho de Penúria (Pobreza) e Poros (Expediente/Riqueza), ele herdou as características de ambos: como a mãe, é um eterno mendigo, passa a vida buscando aquilo que carece e do pai herdou a admiração do que é belo e bom, é talentoso e capaz de inventar planos para alcançar seus propósitos.

Eros não é um divino, nem mortal, então, está entre a sabedoria e a ignorância. Se fosse um deus seria um sábio e, consequentemente, já possuiria sabedoria e não precisaria filosofar; se fosse ignorante também não filosofaria, uma vez que sem ter consciência do que lhe falta, ele não iria buscar a sabedoria.

O amor é intermediário entre o sensível e o inteligível, os homens e os deuses, as ideias e suas manifestações. E Platão nos diz utilizando-se do diálogo – que é um convite ao trabalho incessante de reflexão e interpretação – apresenta a ascensão do erótico ao filosófico, por meio do encadeamento de discursos que compõem o movimento dialético, da contemplação dos belos corpos à contemplação do próprio belo.

Desse modo, Platão concluiu que o amor é filósofo. É aquele que busca aquilo que não tem: o conhecimento. E para buscar é necessário desejar, estar possuído pelo Eros. Ou seja, nos diz sobre a condição humana: o desejo de conhecer ou de atribuir sentido ao mundo.

Sendo assim, o saber está entre as coisas mais belas: é o Amor, é o desejo do belo. Portanto, forçosamente o amor é filósofo e por isso, está situado entre o sábio e o ignorante. Todos aqueles que desejam o conhecimento estão possuídos de Eros, do desejo de conhecer as coisas boas e belas. Não desejar conhecê-lo significa ou que já se conhece – como os deuses – ou que não se tem consciência da necessidade de conhecer – como os ignorantes.

O amor sensual, de Eros, veio a reinar nas sociedades modernas industriais. Após uma queda, devido ao engrandecimento do amor de ágape, que ainda domina grande parte da sociedade, teve seus dias contados. No entanto, hoje, na sociedade contemporânea – a contagem regressiva para o retorno do amor de Eros, posto que no mundo onde vivemos vale mais o amor como mercadoria, do que o amor como sentimento. De que maneira o homem reificou suas pulsões, transformando-as em objetos de uso, de culto, estéticos?

Esta circunstância, somada à minha formação em comunicação social, torna inevitável a associação com a profissão de Relações Públicas, que ainda tenta ser reconhecida: tentamos mudar o olhar dos publicitários que nos podam e de empresários que não entendem o quão importante é a profissão e o potencial desta no mercado.

O amor de Eros pode ser associado com a Publicidade, que seduz seu cliente, ao contrário das Relações Públicas, associado ao amor de ágape, pois para ser RP, o amor entre público e instituição deve ser voluntário, verdadeiro e não apenas sedutor. As duas profissões abarcam conceitos opostos, assim como os dois tipos de amor, mas ambas se estruturam na sociedade e convivem, porém, cada qual com seu público.

Então, pergunto-me: será que está é a chave do negócio???

Nós temos que utilizar Eros como um apelo para tudo àquilo que gira em torno do capitalismo?!?!

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