ESCRÚPULOS
June 9th, 2009 by Marcela Sanchez

Baseado na obra do escritor John Le Carré, o enredo desse filme se desenrola a partir do assassinato brutal de Tessa Quayle, uma ativista (interpretada por Rachel Weisz) em uma área remota no Quênia (África). O principal suspeito pelo crime é seu colega de trabalho, um médico que se encontra foragido. Perturbado pela culpa e assobrado pela possibilidade de infidelidade da esposa, Justin Quayle (Ralph Fiennes), diplomata por profissão e jardineiro por hobby, embarca em uma odisséia que o leva a três continentes para descobrir o que há por trás da morte da esposa. Nessa busca, acaba se deparando com a corrupção entre os governos locais e a indústria farmacêutica, que juntos manipulam a população para usá-la como cobaia em testes de remédios contra tuberculose.
John Le Carré escolheu o segmento farmacêutico para denunciar um grande crime humanitário, servindo-se da metáfora da exploração do Terceiro Mundo e dos países em desenvolvimento que presenciamos dia após dia. Ele poderia ter focado outros segmentos como o do petróleo na Nigéria, ou partido para qualquer direção que denunciasse o absurdo que são as ajudas destinadas a reduzir a dívida externa se não forem acompanhadas de um controle responsável da globalização.
Para isso, em sua trama, o narrador se aproveita das rivalidades humanas, das ambições políticas ou econômicas, dos que necessitam de proteção ou querem revanche. Mostrando o pesadelo do homem – que mesmo sem ter completa consciência do que ocorre a sua volta, submete-se ao imenso circo hipócrita e sujo montado pela indecência e inescrupulosidade da economia moderna -, ele explora de modo esplêndido o horror econômico, o lado mais obscuro da globalização do capital. A realidade dura e cruel que nos é passada (se bem que de forma doce e convicta) nos faz pensar em valores e deparar com o triste fato de que, no final, somos todos manipulados e, mesmo sabendo disso algumas vezes, somos vulneráveis e fracos demais para tomar alguma atitude.
Na minha visão, porém, O Jardineiro Fiel não é apenas a história de como a ambição e a ganância de certas organizações dominam o mundo. É também uma história de amor. Mostra que sempre haverá esperança e que o amor sempre terá poderes ilimitados na relação entre os homens. Embora se traduza em denúncia, mantém otimismo construtivo de que tanto necessitamos.
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