O Quarto Poder

June 9th, 2009 by Marcelo Barbeto

Max Brackett (interpretado por Dustin Hoffman) é um repórter que já foi um profissional respeitado de uma grande rede de televisão, mas que agora está em baixa. Ao realizar uma matéria sem grande importância em um museu, testemunha um funcionário demitido (John Travolta) ameaçar a diretora da instituição com uma espingarda caso não tenha seu emprego de volta.

Apesar de não fazer nada com ela, atira acidentalmente em seu antigo colega de trabalho. De dentro do museu, o jornalista consegue se comunicar com uma estagiária que está em uma caminhonete nas proximidades, antes de ser descoberto pelo ex-segurança, que faz vários reféns. O acontecimento se propaga geometricamente, atraindo a atenção de todo o país. Visando retornar à fama, Max Brackett convence o segurança a lhe conceder uma entrevista exclusiva e promete em troca comover a opinião pública com a triste história do guarda desempregado. É a sua chance de se projetar e voltar para Nova York, mas nem tudo acontece como o planejado. Os fatos são manipulados pela imprensa e tudo sai do controle, pois apenas altos salários e índices de audiência contam e a verdade não é tão importante assim.

Os meios de comunicação, notadamente a televisão, são poderosos instrumentos de persuasão, sendo na atualidade os maiores formadores não só de opinião como de comportamentos, hábitos e atitudes. A partir daí, infere-se que a mídia colabora como nenhum outro tipo de controle social para o processo de massificação da sociedade. O resultado é que temos cada vez mais uma sociedade de massas e menos uma sociedade de públicos seletos e capazes de opinião própria.

No filme, Costa-Gravas usa a trama para retratar a mídia em seus bastidores, mostrando como os meios de comunicação têm poder de influenciar o público. Durante o desenrolar da história, passa-se a possibilidade de transformação do cidadão comum em um criminoso e de um criminoso em um cidadão comum através do show business televisivo e da manipulação dos espectadores. Nela a verdade é vendida por dinheiro e audiência, abrindo espaço para a reflexão da ética dentro da comunicação.

Os relações públicas, sendo os profissionais de Comunicação que mais pregam a filosofia da transparência na área, são peças fundamentais para evitar ao máximo a cultura sensacionalista na qual vem se apoiando os veículos e a imprensa como um todo. Assim, cabe a nós dar início ao movimento contrário, que possa reverter o aparelho midiático em instrumento de conscientização, sendo essa nova geração de profissionais potencial para promover esse retorno à informação responsável. Então, mãos à obra?

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