Relações Públicas e a Filosofia
June 9th, 2009 by Katia Meireles

As idéias Iluministas que visavam a liberdade, progresso moral e domínio técnico da natureza, geram a Revolução Francesa. Em “A Indústria Cultural” de Adorno, ele afirma que a IC massifica a população, pois induz um comportamento universal, sem a percepção das pessoas (por exemplo: é lançado o filme “Homem de Ferro” e junto com ele bonecos, camisetas, etc. que todos vão usar).
A IC também ‘ajuda’ as pessoas em seu momento de fuga da realidade, com novelas, futebol, etc. pois elas são envolventes em um certo grau que as pessoas ‘deixam suas vidas de lado’ e se preocupem mais com o próximo capítulo, ou com a vitória do time, do que com seus problemas pessoais. A publicidade aplica sensualidade em tudo (carros, roupas, aparelhos eletrônicos, etc), logo, as pessoas se sentem atraídas pelos objetos e tentem a sentir uma necessidade de consumo. Logo, o efeito do conjunto da IC pretende desmistificar o mundo (um anti-Iluminismo), ou seja, esse domínio técnico da natureza torna-se o domínio do homem pelo próprio homem, usando a razão para manipular. Um produto ao ser criado já é produzido com um apelo estético. Para Adorno, a IC impede que os indivíduos sejam autônomos, mas é o que gera uma sociedade democrática. Para Kant, se o homem tem a razão, ele é um sujeito moral autônomo e pode decidir tudo sozinho, tendo a capacidade de decidir e questionar o mundo sem se influenciar pela IC. O homem ao produzir em excesso não tem a noção de que um dia a fonte pode (e vai) se esgotar. Logo, acaba consumindo excessivamente sem pensar nas conseqüências futuras, até os anos 60. O capitalismo fordista é a linha de montagem (o que garantiu a linha de expansão econômica ) que produziu bens caros para quem pode comprar.
O livro “A Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord é um diagnóstico que justifica a sociedade atual. Afirma que a mercadoria vira espetáculo (imagem). A vida se resume a uma pseudo fundição de imagens: “As imagens substituem a vida vivida”, diz o autor. Até o jornal que as pessoas assistem em casa, que servem para informar os cidadãos, tem um formato estrategicamente montado de forma ‘espetacular’, visando a audiência, uma pseudo-realidade (começa com as notícias básicas, vai para a tragédia, e encerra com uma notícia positiva, assim o ‘boa noite’ tão especial e visado pelos telespectadores sai com um tom de amizade, que gera credibilidade em quem está falando). Antigamente a sociedade tinha o valor de uso e o valor de troca, mas atualmente agrega-se a imagem (marca) ao produto. Essa imagem agrega valor ao produto, pois um tênis da Nike não tem motivo de custar 3x mais caro que um de uma marca mais simples, a não ser pelo nome (imagem) que a Nike tem. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de Espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma reapresentação”. Pág 13. Com esses valores, surge o Critério Espetacular (baseado no Espetáculo, que é a contemplação da imagem, o fetichismo da mercadoria realizado por completo), ou seja, um critério padrão de moda (como por exemplo, corpo de modelos em revistas). “O Espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens” pág 14 “O espetáculo que inverte o real é efetivamente um produto” pág15. A relação entre as pessoas passa a ser mediado pelas imagens, pois chegamos a ser preconceituosos em relação a uma pessoa mal vestida, por exemplo. Logo, a ‘boa imagem’ e o aparecer passa a ver visado pelas pessoas (fama), o que antigamente não era normal sociedade: todos queriam descrição. Guy fala sobre as vedetes, que animadoras de palco (pessoas famosas são vedetes do espetáculo, ou seja, somente animadoras) e a especialização do objeto aparente, estereotipado. “A falta de racionalidade da cultura separada é o elemento que a condena a desaparecer, porque nela a vitória do racional já está presente como exigência” pág 120. Logo, o autor acredita que não existe nenhum adulto dono da própria vida, pois os jovens já são a própria mercadoria em si. “Em 1967, eu distinguia duas formas, sucessivas e rivais, do poder espetacular: a concentrada e a difusa” pág 172. Debord afirma que a sociedade concentrada (que acompanhou a contra-revolução totalitária) fosse nazista ou stalinista. Já a difusa, por estimularem os assalariados a escolherem livremente diversas novas mercadorias, representam essa ‘americanização’ do mundo (que quer dizer, a massificação). “A própria genética tornou-se plenamente acessível às forças dominantes da sociedade” pág. 173. Com essa afirmação, conclui-se que a origem do Espetáculo é o que resulta na massificação de pessoas solitárias, querendo se tornar produtos, e se perdendo cada vez mais, gerando uma depressão social cada vez maior.
Em “O mal estar, Freud, e a Modernidade” o autor afirma que faltam valores, pois antigamente existia uma tradição que todos seguiam. Sem isso, a sociedade fica sem rumo, trazendo um universo de insegurança. A globalização econômica ajuda esse panorama, mas não é a maior causa do mal estar social atual, e sim o estresse, a depressão gerada, uso de drogas para escapar da realidade, etc. A sociedade nos cobra muito, e pelo fato de não conseguirmos atender a todos essas necessidades, temos a impressão de que a vida não é justa. Acontecimentos como: perda do amor, baixa auto-estima, descrença nas próprias capacidades, etc. nos faz crer que não somos capazes de nada. Esses fatores nos causam desde crianças uma sensação de homem como não-sujeito e sim como objeto do sistema. A maioria das pessoas não tem capacidade de lidar com esse conflito.
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