RELAÇÕES PÚBLICAS VERSUS JORNALISMO

November 24th, 2009 by haybassi

Não sei exatamente quantas vezes ouvi frases preconceituosas e totalmente fora da realidade que vivo em sala de aula, sobre a profissão e as funções de um Relações Públicas.
O status de um Jornalista, vem sendo questionado, as funções de um Publicitário, nos dias de hoje apesar de específicas e importantes, não ultrapassam os limites da criação.
O Relações Públicas por outro lado, vem ocupando cada vez mais um espaço antes delimitado, que é claro não substitui as demais profissões, mas que agrega todo um mix de informações e capacitações o tornando essencial para quaisquer função, desde assessoria de imprensa até a visão crítica e detalhada da comunicação e geral, estabelecendo assim verdadeiramente uma ligação segura entre clientes, imprensa e opinião pública.
O tema busca resgatar algumas idéias sobre a discussão que envolve a atuação de jornalistas e relações públicas em assessorias de imprensa e comunicação. É possível definir com clareza quem é quem em uma Assessoria de Imprensa e Comunicação? A discussão não é recente, e provavelmente ainda não está esgotada. Isso porque os impasses conceituais de quem faz o quê em uma Assessoria de Imprensa e Comunicação ainda permanecem.

Geralmente, ao tratarmos o tema relações públicas e jornalismo ou relações públicas versus jornalismo, o fazemos mediante o uso de dicotomias para destacar diferenças. Às vezes as diferenças podem esconder ciladas, acentuando convicções que precisam ser revisadas e (re)discutidas. Se deixarmos valer a oposição, é preciso entender o contexto em que ela acontece. Com que propósito ela ocorre? E até que vantagens ela proporciona? E para quem são as vantagens? Certamente, o exercício das duas profissões – relações públicas e jornalismo – declaram amplamente seu comprometimento com o interesse público. Sendo assim, antecipando uma resposta para o último questionamento, as vantagens devem visar a sociedade, privilegiando o bem estar coletivo. Como garantia, todas as ações dos profissionais devem resguardar os princípios éticos devidamente firmados nos respectivos Códigos de Ética Profissional. É com este estímulo que entro na discussão desta proposta, procurando refletir sobre alguns pontos que dizem respeito às duas profissões.

Jornalismo e Relações Públicas têm como objeto a comunicação, entendida e concebida, contudo, a partir de olhares e perspectivas peculiares às especificidades de cada área. Esses diferentes olhares e perspectivas são necessários e fundamentais quando realmente pretende-se atuar profissionalmente e academicamente com e em comunicação. E é na Assessoria de Comunicação onde essa atuação se dá (ou deveria) por inteiro.

“Assessor de Imprensa é Jornalista”? Rivaldo Chinem (2003, p. 123) afirma que “há manuais de jornais que demonstram aversão total ao assessor de imprensa”, e que tais profissionais devem ser tratados com respeito e desconfiança, pela sua função ambivalente de fonte de informação, ao mesmo tempo em que atua também com lobista, na defesa dos interesses da organização que representa. O mesmo autor cita ainda a opinião de Heródoto Barbeiro, cuja declaração é oportuna ser transcrita:

Assessor de imprensa não é jornalista porque ele perde a isenção. Não estou desqualificando, mas não é bom argumento dizer que ele é jornalista, porque não está preparado para isso, para o exercício da função. Suponhamos que ele seja jornalista em uma empresa de manhã e assessor de imprensa à tarde. Ele perderia a isenção. Se soubesse de algo importante ele iria dar ou esconderia a notícia? Essa é uma questão teórica. Não estou desqualificando o jornalista. Na função de assessor de imprensa o profissional é uma espécie de relações públicas, um relações empresariais, um homem das relações corporativas”

Em contrapartida, as Relações Públicas caracterizam-se pela aplicação de conceitos e técnicas de comunicação estratégica, comunicação dirigida e comunicação integrada, como coordenar, implantar, supervisionar, avaliar, criar e produzir material que, em essência, contenha caráter institucional da organização e se enquadre no escopo da comunicação organizacional e são conhecidos por newsletters e boletins informativos eletrônicos ou impressos, house organs, jornais e revistas institucionais de alcance interno ou externo, relatórios para acionistas, folhetos institucionais, informações para imprensa, sugestões de pauta, balanços sociais, manuais de comunicação, murais e jornais murais e outras funções pertinentes a área de comunicação específica como elaborar planejamento para o relacionamento com a imprensa, definir estratégia de abordagem e aproximação; estabelecer programas completos de relacionamento; manter contato permanente e dar atendimento aos chamados e demandas; elaborar e distribuir informações sobre a organização, que digam respeito às suas ações, produtos, serviços, fatos e acontecimentos ligados direta ou indiretamente a ela, na forma de sugestões de pauta, press releases e press kits, organizar e dirigir entrevistas e coletivas; criar e produzir manuais de atendimento e relacionamento com a imprensa; treinar dirigentes e executivos para o atendimento à imprensa, dentro de padrões de relacionamento, confiança e credibilidade.
A transcrição desses itens é justamente para evidenciar alguns pontos que freqüentemente geram conflitos entre relações públicas e jornalistas, e que permanecem mal resolvidos na atualidade, provocando antagonismos, com conseqüências desagradáveis para os envolvidos e dificultando significativamente o exercício pleno das atividades profissionais. Me refiro às determinações de decretos anteriores que reconhecem a assessoria de imprensa como atividade exclusiva de jornalistas. Essa decisão foi sacramentada e divulgada posteriormente no Manual de Assessoria de Imprensa (1994), em cujo documento explicou-se a atividade em si, além de expor as principais atribuições e funções das relações públicas e publicidade e propaganda. E , posteriormente foi atualizada e ampliada no Manual dos Jornalistas em Assessoria (agora, não mais de Imprensa) e sim, de Comunicação (1999).( www.alaic.net)
Certamente se insistirmos em posicionamentos corporativos, não estaremos privilegiando os aspectos da cidadania, da democracia, da liberdade de exercer-se uma profissão com responsabilidade. Ora, a contratação de um profissional, qualquer profissional, independente da sua formação, nem sempre significa engajamento , mas há sempre um contrato que estabelece formalmente a função do mesmo e que deverá contar com a concordância das partes envolvidas. Tenho certeza que para a democracia é fundamental a clareza das funções e dos papéis que cada profissional deverá exercer no seu ambiente de trabalho.
Os novos modelos organizacionais exigem um profissional de comunicação inovador, cuja visão inclua a sua responsabilidade e competência profissional, entenda e se certifique dos objetivos e propósitos organizacionais para a qual vai trabalhar e concorde com eles, e ao mesmo tempo tenha compromisso com a democracia e a cidadania. Portanto, nem todas as práticas rotuladas de relações públicas no Brasil podem ser consideradas legítimas. Deve-se zelar pela qualidade e transparência no desenvolvimento das atividades profissionais. E neste quadro é fundamental entender a relação existente entre o profissional de relações públicas e a organização para a qual atua, e do outro lado, poder contar com um jornalismo curioso e investigativo, que prima pela sua independência, que entendemos e respeitamos como sendo uma das principais características da atividade jornalística.Quem sai ganhando é a sociedade.
É provável que os impasses conceituais, os temores e rancores manifestados pelas duas áreas em relação a quem é quem nas Assessorias de Imprensa e Comunicação pudessem ser minimizados se houvesse o entendimento claro sobre as competências de cada área e da necessidade de atuação integrada e compartilhada. E ainda, que somos profissionais de comunicação….
Ver o artigo todo em: (http://www.alaic.net/VII_congreso/gt/gt_12/GT12-38.html)

Sugestão de blog sobre o assunto:

http://www.brunoamaral.com/post/moleskine-relacoes-publicas-versus-publicidade/

http://estrategias0607.blogsome.com/2006/11/12/aula-5/

http://books.google.com.br/books?id=MNcRuEPcMekC&pg=PA149&lpg=PA149&dq=rela%C3%A7%C3%B5es+p%C3%BAblicas+versus+jornalistas&source=bl&ots=IIyAbXbmEh&sig=91qAgy_WVphdDV37-50Qf-USXBM&hl=pt-BR&ei=ud8LS7eTL4uQtgftq_TbAg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=10&ved=0CCYQ6AEwCQ#v=onepage&q=rela%C3%A7%C3%B5es%20p%C3%BAblicas%20versus%20jornalistas&f=false

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