RP: Brasil X Estados Unidos

November 22nd, 2009 by jucmeirelles

Nos Estados Unidos é comum ver Relações Públicas bem-sucedidos e pessoas que sabem dizer na ponta da língua o que faz esse profissional. Já no Brasil, muitas empresas não têm esse cargo, e profissionais das outras áreas de Comunicação fazem o nosso trabalho, muitas vezes nem se dando disso. Desde que entrei no curso de RP já perdi as contas de quantas pessoas não faziam idéia do que era um Relações Públicas, muito menos onde ele atuava. Já as pessoas que sabiam, consigo contar nos dedos.
Na televisão também somos bombardeados com RP´s nos Estados Unidos. Quem não se lembra de Samantha Jones, de Sex and the City? Ou então de como a imagem de Will Smith mudou em Hancock com a ajuda de um profissional da área? No Brasil não vemos isso.
Alguns livros de Relações Públicas consideram como precursores de RP nos Estados Unidos Sam Adams, Amos Kendall, Phineas T. Barnun e o presidente Abraham Lincoln. O presidente norte-americano morreu 1865, enquanto o primeiro departamento de Relações Públicas no Brasil foi criado em 1914, pela empresa canadense The São Paulo Light and Power Co. Limited. A diferença de anos é muito grande não esquecendo que a empresa em questão é canadense, e não brasileira.
Durante o governo de Getúlio Vargas, toda a comunicação foi utilizada por ele, sem que a área pudesse crescer. São criados, em 1931, o Departamento Oficial de Publicidade, em 1934, o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural no Ministério da Justiça e, em 1939, o Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP – subordinado diretamente ao presidente. Nesse momento nem existia um curso universitário. O primeiro foi na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, no início da década de 40. O primeiro curso com o nome de Relações Públicas, porém, foi em 1953.
Nos anos 60, a área começou a se expandir. os anos 60 foram decisivos e transformadores dessa área no Brasil. Isto se justifica por dois fatos a serem analisados nesse estudo, a regulamentação da profissão e a atuação do Governo Militar pós-golpe de 64. Toda essa efervescência sócio-econômica abriu à área da comunicação um grande mercado e diversas oportunidades. No ano de 1962, em São Paulo, é publicado o primeiro livro de Relações Públicas de Brasil: “Para Entender Relações Públicas”, de Cândido Teobaldo de Souza Andrade. No ano seguinte, foi realizada, no Rio de Janeiro, a IV Conferência Interamericana de Relações Públicas.
Nos EUA, Ivy Lee é considerado o primeiro Relações Públicas com um cargo maior. Em 1906, depois de um acidente na Pennsylvania Railroad, ele foi contratado para cuidar do assunto. Ele então convenceu a companhia a abrir todas as informações aos jornalistas, antes que eles ficassem sabendo da informação de outra maneira. Em 1912 ele foi oficialmente contratado pela empresa. Arquivos revelam ainda que ele foi o primeiro a montar a descrição de uma posição de RP corporativa num nível de vice-presidência. Isso foi em 1912, quando a área já crescia, enquanto no Brasil só começou, timidamente, em 1914.
A nossa área luta cada vez mais para crescer no Brasil, principalmente hoje que a concorrência é alta e as empresas precisam estar bem assessoradas, portanto a esperança que a profissão no Brasil será reconhecida da maneira que merece não morre, e continuamos a lutar por isso.

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