Saiu na Veja

May 11th, 2010 by danielasa

Durante um jantar no mês passado, minha irmã de 12 anos estava discursando sobre a campanha eleitoral do Serra. Quando minha mãe retrucou algumas das afirmações, minha irmã disse: ‘’é verdade mãe, saiu na Veja’’.

A proposta deste post é discutir até que ponto podemos confiar nos meios de comunicação.

Sabe-se a que alguns canais de televisão tiveram papel vital na eleição do presidente Collor e que, em diversas ocasiões, as redes de televisão, rádios e jornais influenciaram a opinião pública.

No dia 04 de maio deste ano o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional da Universidade do Rio de Janeiro, acusou a revista Veja de ter inventado uma declaração sua. A matéria ”A Farra da antropologia oportunista” contava com a seguinte declaração, supostamente do antropólogo:  ‘Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original’.

A Veja respondeu que havia entrado em contato com a assessoria de imprensa do Museu Nacional, a qual aconselhou a leitura do artigo “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, publicado por Eduardo. Segundo a revista, a frase correspondente ao antropólogo condizia com o ponto de vista deste, explicitado no artigo. Em carta publicada em seu site, a revista diz que a frase publicada “espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto”. E mais –  “O antropólogo pode não corroborar integralmente o conteúdo da reportagem, mas concorda, sim, como está demonstrada em sua produção intelectual, que a autodeclaração não é critério suficiente para que uma pessoa seja considerada indígena”.

Eduardo de Castro, na tréplica, afirmou que a revista insiste “na manipulação e na mentira; pior, confessam cinicamente que fabricaram a declaração”

Basicamente, a revista Veja leu um artigo do antropólogo, filtrou suas idéias e publicou uma matéria com uma declaração forjada, como se tivesse sido obtida através de uma entrevista.

Este foi o caso mais recente de fatos que contestam a credibilidade dos meios de Comunicação.

Fica a pergunta: Dá pra confiar?

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