June 1st, 2009 by Marcela Sanchez

Sem saber qual tema poderia ser relevante para aqui escrever, comecei a navegar na internet em busca do que me inquietasse. Em diferentes páginas encontrei as fotos recortadas e coladas acima. Proponho-me então, escrever sobre o profissional de relações públicas diante das necessidades sociais, das necessidades humanas. Costurar conceitos e procedimentos à realidade que se impõe a todo espaço – à estrada e à estalagem.
Ao contrário da maioria daqueles que nesse blog escrevem, nunca foi meu sonho ou meu desejo estudar relações públicas. É para onde meu caminho me trouxe. E aprendi a permitir-me aprender essa filosofia (estranha construção, no entanto, significado perfeito). Devo isso pontualmente a alguns mestres que se dedicaram não a cumprir com o conteúdo programático, mas semearam o entusiasmo – o aprendizado que não cai na prova, mas a gente compreende e cada vez entende mais. Então, essa minha vontade de investigar RP diante dos processos sociais.
Ao mesmo tempo em que testemunhamos a suspensão do real, no sentido de negá-lo, simultaneamente se dá o processo de produzir mensagens, fazer políticos, vender visões de mundo etc. E me questiono: o profissional de relações públicas não pode ser indiferente ao seu tempo, então, como ele atua diante da conjuntura exposta? Recordo ainda os comentários de Guy Debord, em sua célebre obra A Sociedade do Espetáculo. Parece-me ainda mais evidente a urgente intervenção nesse sistema.
Ora, então que fazer quando a chancela midiática define verdades e nos diz sobre quem somos? A comunicação entendida como quarto poder. Aí recordo os mestres que citei anteriormente. Relações públicas é expertise, é a possibilidade de atuação estratégica, subsidiada pelo diagnóstico impecável que o profissional está capacitado a fazer. Logo, a intervenção nas relações entre organizações e públicos é intrínseca ao relações púbicas.
Chegar ao público, de modo geral, deixou de ser um desafio. É certo que ainda há quem detenha os grandes meios e dirija-os de acordo com interesses mercadológicos e ideológicos, mas essa é outra discussão. Fato indubitável é que há espaço para qualquer sujeito tornar-se emissor no mundo em rede. A diferença da ação de relações públicas, que implica, a meu ver, em seu caráter transformador, é a capacidade de sustentar-se no tempo.
Em sua função primordial de relacionamento, cabe algo que me parece especial: o esclarecimento e a aproximação. E uma vez lidando com o destino dos públicos é preciso mais do que técnica: sensibilidade. Por isso, a filosofia de RP inspira as atitudes da gestão. Essas são responsáveis pela formação do conceito que altera a percepção da opinião pública. A comunicação dirigida, portanto, propõe ir além, e não apenas ser mais um elemento que se sobrepõe ao caos midiático.
RP requer ética e verdade. Isso sustenta a operação de sua expertise diferenciada, fazendo com que preceda qualquer tipo de comunicação. Mais do que promoção, relações públicas diz respeito a atitudes – são valores praticados que alteram relacionamentos. Envolve informação e credibilidade: um trabalho de formiguinha que se propõe a pensar diferente e isso garante que se multiplique. O objetivo é fazer acontecer; mais uma vez a atitude se coloca, e isso naturalmente repercute na mídia. Desta forma a opinião pública será fruto da gestão de relações públicas.
Sim, respondo à minha própria indagação: RP é agente de transformação social. O comprometimento social não está no currículo, não cai na prova e não é dito; é uma atitude que diz sobre a identidade do sujeito ou da organização. A possibilidade de intervir existe e é urgente. Óbvio que abraçar o mundo é impossível, mas tentar é permitido. O RP está entre os homens imprescindíveis…
“Há homens que lutam um dia e são bons.
Há homens que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos e são muito bons.
Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”
Bertold Brecht