Crise no casamento
May 18th, 2010 by juju
É fato consumado que as relações matrimoniais vêm decaindo muito no que diz respeito a durabilidade e lealdade. As pessoas têm mais dificuldade em se entregar umas para as outras, porque viraram muito individualistas.
Nossa sociedade prega o “cada um por si”, que aumenta a rivalidade interpessoal, seja ela no trabalho, na escola ou no casamento. Por isso, está cada vez mais difícil para alguém confiar sua vida e suas intimidades a um outro alguém.
A modernidade mudou o conceito de comunidade (grande união) para sociedade, onde existem interesses conflitantes e maior diversidade. Acontece, aí, o rompimento do referencial de proteção e amparo vindo da comunidade, que é substituída por uma organização maior e impessoal, e faz com que o indivíduo sinta-se particular.
A velocidade do mundo globalizado em que a gente vive, força a busca pelo sucesso individual, onde só o mais forte sobrevive. Com tudo isso, dá para entender o porquê de tantos casamentos não durarem.
As pessoas têm criado vínculos muito frágeis, construindo relacionamentos superficiais que não resistem a brigas e discussões. Na minha opinião, esses vínculos são fundados em cima de uma base não concreta, a paixão. O que quero dizer é que paixão é um estado patológico em que algumas pessoas se encontram, é uma coisa quase que incontrolável, é avassaladora e dominadora.
Pelo fato do “casar” e do “descasar” estarem mais fáceis e da sociedade adotar o carpe diem como mote de vida, as pessoas decidem se casar quando estão nesse momento utópico de paixão arrebatadora e de juras eternas. O grande problema é quando essa loucura passa e começam a aparecer os defeitos, as manias. Aí é que entra o amor.
Muita gente acaba caindo na ilusão hollywoodiana de que vai achar a sua cara-metade, a sua alma gêmea, e de que tudo vai fazer sentido de uma hora para a outra, e serão felizes para sempre. Isso é a paixão. O amor já não é bem assim.
Amor é uma escolha diária. Todo o relacionamento tem que ser construído com cuidado e carinho, e requer tempo e dedicação. Brigas fazem parte disso e, se bem tratadas, possibilitam o crescimento do casal. Além disso, vem a questão do ceder. Esse meio individualista no qual a gente vive dificulta o convívio, porque geralmente nenhum quer abrir mão das suas coisas para agradar o outro.
O amor tem algumas características únicas, como saber ouvir o próximo, procurar entender suas necessidades, ser racional, refletir e tomar decisões sensatas. Uma base para qualquer tipo de relacionamento é a comunicação, porque é ela que possibilita a conquista dessas características e o trânsito entre elas.
Um profissional de Relações Públicas tem que ter essas qualidades para construir um relacionamento de confiança com seus públicos, formando uma imagem concreta de seu cliente, seja ele qual for.
O RP pode trazer uma abordagem diferente no tratamento e/ou na prevenção de crises em casamentos. Junto a terapeutas pode construir um programa de acompanhamento a casais, que ajude no seu convívio e no entendimento um do outro. O trabalho em conjunto pode fazer com que as pessoas mudem suas percepções em relação a casamento, entendendo que existe esse lado de comprometimento em ouvir o outro.
Esse profissional vai tirar o olhar ruim que as pessoas têm quando pensam em terapia de casal, porque ele mostra um approach diferenciado e prático da questão da comunicação.
Este programa vai sugerir um novo tipo de relacionamento, dando prioridade à comunicação, muitas vezes deixada de lado. Vai proporcionar também a interação com outros casais que estejam passando pelos mesmos momentos. E, brincando com o nome, seria uma assessoria de comunicação de casamento.
Pode parecer loucura, mas as pessoas têm percebido cada vez mais que se deve prevenir e ao invés de remediar. Isso em várias áreas da vida, e a nova área que o RP vai trabalhar é no relacionamento. Além de cuidar dos casais, vai pôr em contato diferentes tipos de pessoas, aumentando suas redes de relacionamento. Isso pode ajudar muito nas carreiras profissionais, porque as pessoas podem conhecer outras que tenham os mesmos perfis, criando assim novas parcerias.
Contudo, a gente percebe que as atuações de um RP são muito mais abrangentes do que se pode imaginar. É só ter um pouco de criatividade e trabalhar as características humanistas desse profissional, que você chega a resultados inovadores.
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